terça-feira, 19 de agosto de 2008

da minha volta

Senhor, livrai-me da norma culta
Adulta
A forma que não insulta
Me libere das métricas perfeitas
E do vocábulo letrado
Deixe me abandonada aos erros ortográficos
Graves descuidos gramaticais
Ao poema livre
Quero entregar-me às palavras de baixo calão
Cultuar o palavrão
Escrever como aqueles que compõem sangrando
Escrevem morrendo
A língua do caes
Do caos
Entrego a merda poemas pueris, infantis
Corrigidos e revisados
Não vou nem passar pelo amor
Quero a vida fudida
A sacanagem
O cheiro de mijo do centro de São Paulo
Nada de versos planos
Retos concretos
Quero a beleza do puta que pariu
Da rima barata
Dos carteados de mesas de bar
Senhor, livrai-me da felicidade





Aos que se alegraram com minha breve morte,
Sinto informa-los que voltei
Mais fértil
Menos sensível
Voltei com a filha da putagem de companhia
E estou aqui
De pernas abertas, esperando ser caceteada


domingo, 10 de agosto de 2008

estou feliz...e agora?

está tudo estranho
hoje é domingo e eu estou curiosamente feliz
sim, aquele tipo esquisito de felicidade que algumas pessoas (estranhas) dizem ter
uma felicidade leve
tranquila
um regalo
um dia de sol e brisa leve
como chuva e um dia de cama
como aquela alegria de acordar pela primeira vez ao lado do alguém que foi tão desejado
mas voltando ao domingo
essa felicidade silvio santos é um tanto heteróclita
tanto quanto essa palavra achada em dicionário online
domingo não é dia de ser festivo
o certo nesse sétimo ou primeiro dia da semana é sofrer
acordar de ressaca
maldizer a televisão
a segunda feira que esta por vir
chorar quando escuta a musica do fantástico
fuçar blogs legais e só achar os piores (c0mo esse)

mas não é o que se sucede
acordei, almocei com meus pais, tomei umas cervejas
andei na avenida paulista
comprei uma flor para o cabelo
voltei para minha casa lépida risonha satisfeita

está tudo estranho
o dia maldito esta acabando eu continuo daquele jeito
estranhamente feliz

não estou sabendo direito como lidar com isso

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

lobos uivam em minha já funesta mente
demente

terça-feira, 5 de agosto de 2008

medos

eu tenho dragões dançando no peito
eu queimo
e a tentativa de salvação é sempre frustante


eu tenho um amor
dinheiro no banco e uma angustia que me paralisa

quisera eu que fosse só piti de mulher metida a artista
começa com uma dormência na mão
na cabeça
esquenta, calafrios
calaquentes
e o sinal fatal
estomago a partir daí é medo medo e medo
medo de tudo e tudo mais
do real e do que crio
medo


"aquilo que mais temo me sobrevém" é biblico e é isso que penso

quarta-feira, 9 de julho de 2008

é a cara dessa pagina em branco o que me mata

segunda-feira, 30 de junho de 2008

casamento!




E depois de um tempo, vem o papel assinado
O contrato firmado
Outorgado, imputado
Mesmo sem ser necessitado
Anseios sacramentados
Impreterível, inevitável, irresistível.
Vontades imperativas surgidas de sentimento
Impositivo, sem sentido, dominativo
Amor conclusivo definitivo
Alvo acertado, caminhos marcados.
Não pela força do escrito, e sim pelos meios tortos como foi traçado
Pelas duras penas, hoje mais amenas
Pelo tudo enfrentar sem pestanejar
Eu assino
Me declaro sua em carne osso sangue
Tu assinas me dá seu nome sua força seu sêmen
E assim seremos um
Está escrito.
E fim!

domingo, 22 de junho de 2008

um scrap a uma desconhecida amiga de madrugadas ressaquiadas

eu na verdade me cansei de grandes anseios
hoje quero tudo, e só
o mundo aos meus pés
meu marido na nossa cama
uma boa dose de conhaque
um pouco de inspiração para tentar escrever o que já nem sei mais se é
uma gorda carreira
não quero tentar nada, nem me conhecer
conhecer essa merda pra que?
vou seguindo e sendo o cada dia me é proposto a ser
ou não sendo quando chapada de calmantes me entoco na toca depressiva que transoformo a minha mente
eu nem seu se quero, só sei que cansei que questionar
vou andando caindo bebendo
se der eu levanto senão me deito por ali e fico

domingo, 15 de junho de 2008

a presença enlouquecedora que sua falta me traz


É a primeira vez e sempre existirão essas estréias e nunca me encontro preparada a elas, a ausência da sua presença é tamanha que preenche a casa, toma todo o ar, sufoca, transborda meu coração e meus olhos atolados de lagrimas doídas e quentes que insistem em não parar de cair, é palpável e enlouquecedor e possuo animo agora apenas para assistir o mundo através desse amor, da nossa janela, de debaixo da nossa cama; e o eflúvio, a exalação, o calor atormentam um incontável numero de sentidos, sua voz me chama no rádio, mas sinto como se me faltassem dedos, escassa de vocabulário é tudo um excesso de coisa nenhuma, falta, falta uma coisa, falta você aqui no meio das minhas pernas.falta o movimento dos corpos, o cheiro do banho, o som da voz do seu violão, e são apenas horas , horas eternas de uma angustia que cessará no momento em que aquela porta abrir. Estarei aqui, olhando pela janela, embriagada de saudade volúpia e desejo.

Volte sempre meu amor, estarei te esperando sempre, com o coração apertado e as pernas arreganhadas!

terça-feira, 3 de junho de 2008

peitos e idéias estupidas


e saiu correndo
segurando os peitos com mão
o sutiã era frouxo
seus seios sempre foram pequenos, mas era flácidos
sera que esse fato se dá pela vida desregrada que levou por tantos anos?

foder deixa os peitos caídos?

não deixarei de foder, foderei mesmo que meus peitos encostem no chão

quarta-feira, 28 de maio de 2008

desejando rivotril


dia povoado por estranhas nuances
vou fazer uma camiseta escrito I love gordura trans




me convença de que essa banda é a melhor
me de cds
me deixe pegar seus cigarros sem pedir



segunda-feira, 26 de maio de 2008

sou eu aqui cheia das merdas de minhas certezas que só me angustiam
eu com o caralho do meu eu sei tudo
talvez com um pouco de tempo eu consiga pensar melhor e até de pra resolver alguma coisa
talvez não
é mais provável que não
nunca
no meu caso o tempo nunca foi remédio pra nada
o tempo sempre piorou as coisas



eu vou te foder te fazer gozar te fazer espirrar bolhas de sangue na nossa cama

euteamo

gotejando

Como se gotejasse, era assim que o sangue escorria, parecendo que existia pouco daquele soberano liquido dentro do seu corpo. Adelle trancou a porta, mas pela primeira vez para não voltar mais, lá dentro abandonara não só mais da metade de seus cacarecos, mas toda lembrança daquela vida que dantes fora sua, apesar de ter sido roubada de outra que, até os dias atuais chora e maldiz Adelle, sim, mas não iria confabular sobre isso agora, é hora de ir embora, de deixar o gás aberto e esperar explodir, sim iria comprar cervejas cigarros, tinha desistido de parar de fumar, não era exatamente o momento adequado, - fumarei para sempre, me assumo tabagista, sem culpa - aconchegar-se na pracinha em frente e assistir de lá o apartamento que a trouxe tanta desgraça estourar e, com um pouco de sorte ele já terá voltado da viajem e irá pelos ares. Prédio sem zelador ninguém reclamará nem terão como abrir se o cheiro escapar. E pensou, pensou por que quis tanto aquela vida, por que raios tanto desejou ser senhora daquele homem e dona daquela casa, tanto infortúnio, o que lhe sobrou foram braços cortados sentados tomando cerveja quente esperando aquela vida pipocar. Isso não é crime já que não tem ninguém lá, direi que me feri e fui fazer um curativo, saí correndo em busca de socorro, o gás estava aberto, malditos velhos apartamentos com aquecimento a gás, pensando nisso não viu quando Birman saiu por aquele porta de ferro, carregando somente as fotos de Adelle - fotos essas que ela fez questão de esquecer, escondidas dentro de uma velha caixa, se não queimassem tornar-se-iam um banquete de traças e baratas que decidirião fazer daquela caixa sua casa e comida – colocou-as cuidadosamente dentro do carro e vendo bombeiros tentarem salvar a velha moradia.

Adelle largou o resto da lata levantou-se e caminhou ate a estação do trem jogou as chaves em lixão, pisou forte e rápido, a partir de agora Valentine

domingo, 25 de maio de 2008

outrem

"Só cabe aos que me reprovam refletir um pouco e depois pedir desculpas a si mesmos. Não preciso de uma palavra para a minha defesa".
Nietzche

quinta-feira, 22 de maio de 2008

sempre

queria o sempre agora
esse estado de semi embriaguez, esse estar com você
esse meu coração parou de sangrar


eu ainda tenho cervejas e uma bela vista

terça-feira, 20 de maio de 2008


unhas escarlate, rubras agulhas que te fincarei e tu provavelmente te apaixonará, e riremos juntos em algum boteco quando deliciosamente o álcool subir a nossa já entorpecida mente, madeixas de graúna e amêndoas negras te olharão sem doçura mas algo te tirará a paz um incomodo encanto, e quando eu for embora te deixarei com tudo, as agudas lembranças de minhas rubras agulhas, o carmim dos lábios, a escassez de brilho nos olhos, a lembrança das negras melenas. E tu não chorarás. sairá à procura pelos vagões de metro aquela mão com curtas unhas vermelhas aliança de ouro que outrora afagou tua embriaguez.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

um dia qualqer

Era sexta era a tarde era sol e frio era dia vadio
E começou como tudo sempre começa, cerveja em qualquer boteco caga sangue do meu amado centro velho da terra que outrora foi da garoa, eu e minha melhor companhia. E logo outro se uniu a nossa mesa.
E continuou como sempre continua, uma ligação rápida e um ilícito delivery.
E amanhã era dia de trabalho, hard fucking work, mas, bem remunerado trabalho.
Mas o ontem não acabou e se agregou ao amanhã, eu até tomei um banho e o resquício do delivery na corrente sanguínea me dizia que seria bom, ou que pelo menos conseguiria viver o hoje que ainda era ontem apesar de ser amanhã.
É claro que deu errado, sou eu com o organismo já cansado e entupido de química e com excesso de pouco sono, e cafonamente desmaiei, ainda com gosto de álcool na boca, garganta amarga e claro com o nariz entupido.

Perdi o trabalho, mas ganhei uma rebordosa inspiradora e angustias poéticas.



Agora o ontem acabará e decididamente acordarei amanhã, o rivotril chegou e me devolve o sono tirado.

sábado, 17 de maio de 2008

bomba relógio

não é fácil viver quando dentro da sua cabeça existe uma bomba relógio que vai explodir a qualquer momento, no momento em que alcancei aquela coisa boa que dizem ser felicidade

no fundo sempre soube que isso não era pra mim

domingo, 11 de maio de 2008

quando é que passar quando você casa e não passa


casei e não sarou
e agora quando sara?

amanhã de manhã sara
se ocupa que sara
relaxa que sara

mas nunca sarou
não sara nunca